Escola Primária António José Gomes
| IPA.00010126 |
| Portugal, Setúbal, Almada, União das freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas |
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| Arquitectura educativa, do séc. 20. Edifício de expressão plástica tendencialmente geometrizante, que ostenta controlo volumétrico e articulação das massas cúbicas, distribuídas clássica e monumentalmente segundo um eixo de simetria; evidencia ainda o vocabulário vernacular (ornamentação dos vãos - janelas e porta - com cornijas de aduelas de tijolo, as coberturas com telhados de 3 e 4 águas e alpendre) aliada à grande simplicidade de linhas e volumes, privilegiando a funcionalidade do edifício; apresenta duas salas de aula com sanitários articulados com aquelas, em andar térreo, cujo acesso era possível circulando pelo recreio sob cobertura, com janelas abertas para a fachada principal, com boa entrada de luz e eficaz arejamento, com a casa do professor independente, desenvolvendo-se em 2 pisos que ocupavam a parte central do edifício, com janelas sobre a fachada principal (cumprindo a proposta de promoção social e valorização do professor primário, que a República viria a consagrar); é paradigma de construção onde se reduziu ao mínimo os elementos arquitectónicos, de modo a criar um tipo normalizador, facilmente repetido por todo o território nacional. |
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| Número IPA Antigo: PT031503040054 |
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| Registo visualizado 693 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Educativo Escola Escola primária Tipo Adães Bermudes
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Descrição
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| Planta rectangular, composta por 3 corpos, em simetria. Volumes articulados em justaposição de massas dispostas na horizontal, contrastando com o impulso verticalizante do volume central. Coberturas diferenciadas com telhados de 4 águas no corpo central, de 3 águas nos corpos laterais, com agulhas erguidas nos vértices dos encontros das abas, e de uma água nos alpendres que dão para o pátio. A fachada principal está voltada a NE., tem embasamento curto e levemente proeminente, desenvolve-se simetricamente em 3 panos marcados por escalonamento de planos e rasgada regularmente por avultado número de janelas e um portal, todos de bandeira; o pano central, levemente em avanço, é de 2 pisos divididos por friso de cornija, no centro do qual assenta o pau de bandeira; ao nível do piso térreo, rasga-se um portal flanqueado por duas janelas de 2 folhas com peitoril, de arco rebaixado, todos verticalizantes; no piso superior abrem-se 3 janelas rectangulares com cornijas rectilíneas; sob a central destaca-se uma placa epigráfica identificadora do edifício; o remate é em cornija e beiral. As ilhargas dos corpos laterais são cegas e rematam de modo semelhante à fachada principal; na facha a NO. abrem-se 3 vãos iluminantes, escalonados, verticais. A fachada posterior do corpo central desenvolve-se de modo semelhante à principal, com todos os vãos, janelas e porta, rectangulares com vergas e cornijas de cantaria rectilíneas. Os corpos laterais são sombreados pelos dois alpendres, cujos telhados assentam em colunas estreitas. A articulação exterior / interior é desnivelada, fazendo-se o acesso pelo frontispício, subindo 3 degraus e, pelas traseiras, subindo 2 degraus. O INTERIOR é de espaço diferenciado; no piso inferior desenvolvem-se o vestíbulo amplo e as salas de aula uma de cada lado; frente à porta de entrada abre-se a porta de acesso à antiga casa do professor, com um pequeno vestíbulo, uma cozinha e sala; uma escada de lances de poço aberto, com guarda-corpo em ferraria e corrimão de madeira conduz ao piso superior onde se desenvolve o resto da habitação. A iluminação é natural, conseguida através dos vãos de janelas já descritos, os pés-direitos são lisos, as coberturas são formadas por tectos planos estucados, por tecto falso difusor de iluminação artificial, e os pavimentos são de assoalho. |
Acessos
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| Rua António José Gomes, n.º 9 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, no centro histórico da freguesia, isolado com espaço de logradouro (pátio da escola na traseira do edifício) no prolongamento das fachadas laterais, dando sobre rua, na continuação das fachadas de outros prédios; no flanco direito abre-se um terreno liberto de construção e no lado esquerdo rasga-se um pequeno corredor com portão de ferro, acesso pela traseira a outra edificação que se ergue à sua ilharga, com pouca distância entre ambas. |
Descrição Complementar
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| Na placa do frontispício lê-se, "ESCOLA / ANTÓNIO JOSÉ GOMES / PARA O SEXO MASCULINO / FUNDADO EM 1911. Destacam-se ainda dos panos murários vários algerozes, considerados por técnicos da construção, de muito bom acabamento. |
Utilização Inicial
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| Educativa: escola primária |
Utilização Actual
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| Científica: centro de investigação / Residencial: casa |
Propriedade
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| Pública: municipal |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ARQUITECTO: Adães Bermudes (projecto tipo). |
Cronologia
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| 1898 - Abertura de concurso público para apresentação de projectos de escolas-tipo que traduzissem as necessidades da época quanto a pedagogia e higiene e que reflectissem os ideais republicanos vigentes, a serem construídas de acordo com as técnicas e os materiais próprios de cada zona do país; o arquitecto Adães Bermudes, sob o pseudónimo "Fiat Lux", foi o único candidato a apresentar-se a concurso, tendo ganho um prémio com o trabalho apresentado, tornando-se de seguida director das Construções Escolares; 1911 - Fundação da escola com o nome do conhecido industrial António José Gomes (1847 - 1909) para substituição da Escola Primária União Piedense que este benemérito havia mantido à sua custa, que era frequentada por cerca de 100 alunos; a escola é mandada erguer por Maria Soares da Rocha Gomes, viúva daquele industrial, em memória a seu marido e atendendo às necessidades educativas locais; dá-se a passagem para as Câmaras Municipais das competências relativas às instalações escolares, de acordo com as "Normas técnicas, higiénicas e pedagógicas a que devem obedecer os novos edifícios escolares", conhecidos como "Normas da República" e a partir das quais se edificavam, então, as chamadas "Escolas da República". |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes autónomas. |
Materiais
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| Alvenaria: tijolo e cal; pedra: calcária; estuque: estuque pintado e trabalhado; cerâmica: tijolo, tijolo maciço, telha cerâmica vermelha, azulejo industrial; vidro: simples; metal: ferro fundido, ferro forjado; betonilha; madeira: "pich-pine", outras. |
Bibliografia
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| CRUZ, Maria Alfreda, A Margem Sul do Tejo Factores e Formas de Organização do Espaço, Montijo, 1973; Muitos Anos de Escola - Edifícios para o Ensino Infantil e Primário até 1941, v. I, Lisboa 1990. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; Junta de Freguesia da Cova da Piedade |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; Centro de Estudos dos Núcleos Históricos do Concelho de Almada, Caramujo e Romeira |
Documentação Administrativa
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| Direcção Geral de Administração de Escolas, Ministério da Educação |
Intervenção Realizada
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| Junta de Freguesia da Cova da Piedade: 2000 / 2001 - obras de conservação geral e limpeza. |
Observações
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| *1 - O arquitecto Arnaldo Redondo Adães Bermudes que era, então, arquitecto da Direcção Especial de Edifícios Públicos e Pharoes do Ministério das Obras Públicas. |
Autor e Data
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| Albertina Belo 2001 |
Actualização
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