Igreja Paroquial de Viana do Alentejo / Igreja de Nossa Senhora da Anunciação

IPA.00001190
Portugal, Évora, Viana do Alentejo, Viana do Alentejo
 
Arquitectura religiosa, manuelina, medéjar. Igreja paroquial típica do manuelino meridional, integrável num amplo universo de templos salão de marcada presença mudéjar, que emprestam à paisagem o aspecto pitoresco da sua cobertura coroada de coruchéus cónicos, muito semelhante na sua ampla abertura interior à Igreja Matriz de Pavia (PT040707040004). Magnífico portal em mármore, de aspecto um pouco rústico no tratamento de pormenor, mas notável pela composição, em que abundam alusões à actividade pastoril, lobos carneiros, tosquias, etc.
Número IPA Antigo: PT040713020001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta rectangular regular, composta de três naves e pequena capela-mor ladeada por dois absidíolos. Volumes escalonados, massas dispostas na vertical com cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave central de uma água nas laterais. Fachada principal a O. de três corpos corresponedentes o central, mais alto e mais largo, à nave, de remate recto, os restantes às naves laterais com remates em meia empena; amplo pórtico principal, axial, de mainel, sobreposto de pequeno lume de fresta de arco em volta perfeita; dois gigantes apilastrados marcam os 3 registos horizontais definidos pelas respectivas naves, marcadas ainda por coruchéus cónicos nos cunhais; o corpo central é coroado por campanário em empena com duas sineiras de volta perfeita. Fachada N. definida pela articulação horizontal dos tramos interiores da respectiva nave, correspondendo no exterior a gigantes de reforço rematados por coruchéus cónicos, em dois estratos sobrepostos, correspondentes aos telhados projectados; entre os gigantes, elegantes frestas de iluminação das naves. Fachadas S. e E. adossadas á cerca. INTERIOR: amplo, tipo salão, estruturado em cinco tramos, com a ábside quase encaixada no paramento E. Poderosos pilares de secção hexagonal suportam as ogivas artesoadas da cobertura.

Acessos

Largo de São Luís

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 150 de 30 junho 1948

Enquadramento

Urbano, intramuros, em cota relativamente elevada, adossado ao paramento SE. da muralha da cerca do Castelo de Viana do Alentejo (v. PT040713020002); harmonizado com a envolvência. Fachada N. voltada à Igreja da Misericórdia (v. PT04071302018) e ao Cruzeiro (v. PT040713020019)

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Diogo de Arruda (atr.)

Cronologia

Séc. 16, início - fundação do templo; séc. 18 - execução do presépio; 1937 - levantamento de plantas da igreja e castelo e estimativa de custos de obras; 1938 - 1945 - aquando das obras da DGEMN, demolição de várias construções, datando provavelmente desta época a demolição da Capela do Santíssmo Sacramento, localizada no último tramo do lado da Epístola, extramuros; 1947 - a Casa do Alentejo informa a DGEMN que o vitral retirado da igreja se encontra em Lisboa, na casa de Ricardo Leone, para restauro; 1949 - a Casa do Alentejo informa que os vitrais já se encontram restaurados podendo ser recolocados na igreja; 1953 - o arquitecto Rui Couto, Chefe da 3ª secção da repartição técnica da DGEMN, tendo efectuado, há c. de 5 anos atrás, uma visita a igreja, comunica que desde então o seu estado de conservação muito se deteriorou: os telhados encontram-se em bom estado, necessitando apenas de limpeza; o pavimento de tijoleira das naves laterais e coro necessita ser substituído, há ainda que "encarar a substituição dos actuais caixilhos desmantelados por vitrais, mesmo que seja de vidro tipo catedral, para o que no entanto é necessário rectificar os vãos, pois uns apresentam aberturas rectangulares e outros em arcos" (...) "; refere ainda que o altar-mor "era uma peça linda de talha; tiraram-lhe, escavacando-o aos pedaços, o trono"; necessita pois o retábulo-mor "ser completado com um trono e um sacrário, devendo a talha ser dourada"; 1956 - o Pároco da igreja, Padre Wenceslau Gonçalo de Almeida Gil, informa a DGEMN do seu mau estando de conservação , comunicando a existência de "vidros de janelas partidos, a ponto de chover no interior; portas sem pinturas e a estragarem-se; soalhos podres e tijolos partidos; portas de acesso ao castelo podres e sem fecharem"; 1958 - do orçamento de obras de conservação a realizar pela DGEMN constam entre outros: restauro do altar de talha da capela-mor incluindo douramento (a ouro de imitação) e fornecimento de sacrário de madeira e talha; modificação da banqueta e altares da capela-mor incluindo o fornecimento de um em talha dourada de acordo com o existente; retirar o cadeiral do coro incluindo o arranjo da parede à qual este se encosta; levantamento do pavimento de tijoleira do coro e reposição do mesmo; conclusão de painéis de azulejo; modificação da escada do púlpito; reparação de vãos para a colocação de vitrais; retirar o guarda-vento da porta principal e colocação de tapeçarias nesta e na porta lateral; fornecer e assentar balaustrada em madeira exótica no coro; reparação do adarve sobre a igreja; mudança do arcaz da sacristia para a parede oposta; construção de instalação sanitária; 1963, 12 de Novembro - o Eng. electrotécnico do IST, José Nascimento Ferreira Júnior, a propósito da instalação eléctrica da igreja, refere que na cerca e muralha do edifício "há ainda embutidas algumas construções pobres semi-arruinadas"; 1966, 07 Maio - o pároco da igreja informa a DGEMN que vários particulares que exploram mármore na vila oferecem a pedra necessária para a construção e assentamento de um altar "versus populum"; tendo sido mandado levantar a respectiva planta, o Arq. Rui Couto, informa " não prejudicar o conjunto da igreja a construção de uma mesa de altar sob o arco triunfal da capela-mor; 1968, 24 Julho - na sequência de uma carta do pároco da igreja comunicando das obras necessárias, a DGEMN informa mesmo de que relativamente às dependências junto à entrada do Castelo o restauro previsto da cerca e Castelo "compreende a demolição do andar superior que afecta as muralhas (...) incluindo ainda a reparação da Capela e dependências andar térreo"; 2004, Agosto - análise termográfica da fachada lateral N., sendo detectada uma fenda vertical e zonas de revestimento de variável aderência ao suporte ou destacado.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria, mármore (portal e elementos secundários), granito (elementos secundários)

Bibliografia

DIAS, Pedro, A Arquitectura Manuelina, Porto, 1988; ESPANCA, Túlio, Igreja Matriz de N. Sra. da Anunciação de Viana do Alentejo, A Cidade de Évora, nº 60, 1972; ESPANCA, Túlio, Distrito de Évora, Concelho de Viana do Alentejo in Inventário Artístico de Portugal, Vol. XIX, SNBA, 1978; LNEC, Aplicação da análise termográfica em edifícios antigos na Amieira do Tejo e em Viana do Alentejo (Projecto FCTnº POCTI/ECM/46323/2002), Lisboa, LNEC, 2004; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota (Texto policopiado, dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa), Lisboa, 1998; SANTOS, Reynaldo dos, O estilo manuelino, Lisboa, 1952.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1938 - 1945 - Obras de reparação e restauro incluindo a demolição de várias construções: demolição completa de paredes de alvenaria na capela lateral e na capela-mor; entaipamento de diversos vãos proveniente de parte das demolições; levantamento completo de telhados e assentamento de novo; construção e assentamento de vitrais coloridos segundo o existente, de caixilharias, de pavimento de tijolo na sacristia; reparação de rebocos em paredes e abóbadas; lageamento de cantaria no interior; contrução e pintura de portas; reparação das escadas da torre; limpeza de cantarias; 1958 - 1959 - obras de reparação das coberturas, reparação e substituição de portas, caixilhos ecabeçotes de sinos ereconstrução do pavimento de uma das naves; 1960 - instalação eléctrica e de som; 1960 - 1964 - iluminação interior: fornecimento e montagem de dois lustres em latão e vidro na nave central e cinco meias lanternas de latão na sacristia e coro; 1974 - recuperação de dependências junto da entrada principal do Castelo e construção de instalações sanitárias: junto à entrada do Castelo, demolição de alvenarias para abertura e desobstrução de vãos e no adarve, apeamento da cobertura de telhado em ruína, desmontar e voltar a montar sineira e caixilho, construção de paredes em elevação nas dependências, construção de novos telhados, de pavimentos de tijoleira e mosaico hidráulico nas dependências, construção e assentamento de portas e caixilhos nas várias dependências; construção de betão armado em lintéis e arcos; reconstrução de rebocos; reconstrução do pavimento de soalho da sacristia; instalações sanitárias; construção de redes de canalização e adução de água; 1975 - refechamento de fendas com gatos de betão na parede de suporte do cruzeiro; execução de pavimento de tijoleira em adarves e dependências; fornecimento e assentamento de pavimento em tijoleira prensada, furada, do tipo regional no adarve, salas entrada e coro; refechamento de juntas em panos de muralha; limpeza dos telhados, caleiras e gárgulas; pintura dos cabeçotes dos sinos, de portas, caixilhos e grades; substituição de vidros partidos; caiações exteriores; nas salas da entrada, refechamento de fendas, execução de porta envidraçada e portadas, conclusão e assentamento de vitrais; ligação do esgoto à rede pública; 1976 - refechamento de juntas em panos de muralha e no pavimento de lagedo no acesso á igreja; consolidação da parede da escda de acesso à Capela de Santo António; caiações e pinturas; 1975 - 1976 - reparação da instalação eléctrica; 1978 - reparação de panos de muralha; reparação e limpeza de telhados da igreja e anexos; limpeza e isolamento de gárgulas; caiações interiores; 1884 - recuperação de rebocos degradados integrando aqueles que se encontram em bom estado através da aplicação de aguada de argamassa de cal parda e areia; recuperação de caixilharias exteriores nomeadamente nas portas principal e travessa e na janela da sacristia; substutuição integral do soalho de madeira existente, por outro idêntico ao existente incluindo novo estrado para o altar-mor.

Observações

Autor e Data

Manuel Branco e Castro Nunes 1994

Actualização

 
 
 
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