Igreja de São Cláudio

IPA.00002170
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Nogueira, Meixedo e Vilar de Murteda
 
Arquitectura religiosa, românica. Igreja de linhas simples e modestas, dado ter pertencido a um convento relativamente pobre e de evolução acidentada. Integra-se na arquitectura Românica do Alto Minho, zona que durante a Idade Média esteve sob a influência religiosa de Tui. Denota-se contudo uma influência mais forte do grupo de Braga do que do românico galego. Por ex., os capitéis de cesto cúbico são semelhantes aos de Bravães e as "cabeças em bico" apertando o toro na arcada da fresta da cabeceira são comparáveis a outras da Porta do Sol da Sé de Braga e de Arões. Pertence ao primeiro subgrupo de igrejas românicas do Alto Minho criado por Carlos Alberto F. Almeida e integra-se na tipologia das igrejas de planta longitudinal, nave única, capela-mor quadrangular, ambas com cobertura de madeira. A técnica de grafia usada nos zoomórficos afrontados no tímpano é característica de alguns tímpanos da zona de Alto Minho. A decoração da arquivolta superior do arco exterior no arco principal, cheia de hesitações denota um artista diferente, muito hábil.
Número IPA Antigo: PT011609240001
 
Registo visualizado 2471 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja  

Descrição

Igreja de planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor quadrangular. Volumes articulados, sendo a cabeceira mais baixa, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas de cantaria aparente, com alguns silhares apresentando siglas alfabéticas, rematadas em cornija sobre modilhões, sendo os da capela-mor historiados, sobretudo com cabeças de touro, lobo e algumas composições realísticas. Fachada principal orientada, terminado em empena interrompida por pequena sineira, tendo esta última empena sobre cornija besantada. Portal de arco de volta perfeita, de quatro arquivoltas, sobre pés-direitos, tendo o terceiro arco de aresta decorado com besantes, tímpano com cruz equilátera vazada ladeada por dois zoomórfos gravados. Encima o portal estreita fresta. Fachada lateral N. com portal de arco de volta perfeita e na lateral S. de arco quebrado; nesta fachada, dispõem-se ao longo da nave, cachorros para apoio das vigas do telhado do antigo mosteiro adjacente.Interior muito simples, com arco triunfal de duplo arco: o interior liso, sobre colunas com capitéis cúbicos e esculpidos e impostas com palmetas estilizadas, e o exterior, sobre os pés-direitos (também com imposta); esculpido com temas lanceolados geometrizados e com trepano circular. Capela-mor com fresta na parede testeira e altar moderno.

Acessos

Lugar do Outeiro. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,751326; long.: -8,785204 (ao lugar)

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Rural, isolado, implantação harmónica. Ergue-se em plataforma murada sobranceira à estrada e tendo fronteiro cruzeiro muito simples.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 / 13

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

568 - Construção do primeiro templo por São Martinho de Dume, integrando-se num convento; 1082 - data de uma inscrição; c. 1145 - início dos trabalhos de reconstrução da igreja e mosteiro; 1183 - data de inscrição; 1201 - inscrição junto ao portal axial indicando a sagração da igreja pelo Bispo de Tui, D. Pedro, a cuja diocese pertenciam as igrejas da margem direita do Lima; séc. 13 - remodelações na igreja, com elevação da nave e ampliação da capela-mor; 1531 - por falecimento sem sucessão do comendatário Gomes Velho, o Papa Clemente VII, cedeu a abadia ao seu amigo Cardeal Nicolau de Reduphu, que nunca a visitou, o que originou protestos; séc. 16 - convento extinto por determinação do Abade de Tibães, convertendo-se a igreja em vigaria secular e passando os rendimentos ao Colégio de São Bento de Coimbra e a comendatários, que lhe desmembraram muitas das suas propriedades; não concedendo mais de 50$000 ano aos vigários que não tinham o apoio da população, a paróquia de São Cláudio teve de ser anexa à vizinha de S. João de Nogueira, o que contribuiu para o seu abandono; séc. 17, fins - construção da sacristia junto da fachada S; séc. 18 - construção do coro, vários retábulos, um deles entaipando porta lateral N., e pequeno campanário sobre a empena; provavelmente procedeu-se à caiação do interior; c. séc. 19 - substituição da fresta por óculo na fachada principal; 1936, Janeiro - durante as obras de restauro, ruiu parte da parede da fachada N.; 1943 - estragos na igreja causados por um ciclone.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria granítica, com uma fiada de pedras exterior e outra interior, possuindo míolo constituído por pequenas pedras; betão armado, pavimento de lajedo e cobertura de telha.

Bibliografia

BARREIROS, Padre Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926; DGEMN, Igreja de S. Cláudio de Nogueira. Viana do Castelo, Boletim nº 50, Porto, 1947; SANTOS, Reynaldo dos, Oito Séculos de Arte Portuguesa, vol. 2, Lisboa, s.d.; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Triénio de 1947 a 1949, Lisboa, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; s.a., Guia de Arquitectura Românica Portuguesa, in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, pp. 65 - 116; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Geografia da Arquitectura Românica in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986, pp. 51 - 131; LEAL, António J. Cunha, Roteiro Arqueológico de Viana do Castelo, Viana do Castelo, 1992.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1934 - abaixamento do pavimento da igreja e reconstrução do lajeado de cantaria; restauro dos pórticos laterais, tendo-se posto a descoberto o portal N; restauro das janelas, que então foram transformadas em frestas; reconstrução do telhado; remoção do reboco interior e do ainda existente no exterior; apeamento do coro e púlpito junto ao portal S.; 1935 - apeamento e reconstrução geral de todo o telhado; construção e assentamento de portas exteriores em castanho; escavação de terras e sua remoção; anos 40 - obras de restauro: demolição da sacristia e entaipamento da respectiva porta de comunicação com a capela-mor; apeamento e remoção de um túmulo antigo, que se encontrava junto da fachada S.; apeamento e reconstrução parcial das paredes laterais, que ameaçavam ruir e reforço da obra realizada por meio de cintas de betão armado, encobertas; apeamento dos telhados e sua reconstrução geral; substituição do campanário existente por um outro; desentaipamento da fresta da fachada posterior e restauro de outra na fachada lateral; substituição do óculo por fresta idêntica à que anteriormente ali existia; apeamento do altar-mor de madeira e laterais; reparação da empena do arco triunfal; desentaipamento da porta lateral do N. e reconstrução do tímpano; limpeza e restauro das cantarias do arco triunfal; substituição do pavimento de madeira e cimento por um de cantaria com novos degraus; construção de altar para capela-mor; construção e colocação de portas novas; assentamento de vitrais com armação de chumbo; drenagem do terreno do adro; assentamento de grade de madeira junto à pia baptismal; execução e assentamento de três cruzes terminais; construção de passeios à volta da igreja; 1951 - construção de uma nova sacristia, a N. da igreja; 1959 - reparação do telhado; 1960 - mudança de um jazigo de família sito no adro nas traseiras para o cemitério paroquial; 1969 - conclusão de trabalhos: levantamento coberturas de telha; limpeza geral dos telhados; assentamento de telha nacional; desmonte de vitrais para reconstrução; pintura das portas; construção de caixilhos de ferro; 1977 - trabalhos de conservação; 1982 - obras de conservação; limpeza geral dos telhados da capela-mor, nave e sacristia; reparação das portas; 1988 - reconstrução das coberturas, pinturas do tecto e portas; 2001 - obras de conservação geral das coberturas.

Observações

Embora não se confirme a data da fundação desta igreja conventual, várias inscrições do séc. 11 e 12, e os pormenores decorativos do arco triunfal, com arremedos de arte moçárabe, parecem confirmar a existência de um outro edifício anterior ao que o Bispo de Tui sagrou em 1201. Na época gótica sofreu algumas modificações na nave e ampliação da capela-mor, documentadas por grande quantidade de siglas da época, e possivelmente sob responsabilidade de um Pedro, visto que são várias as siglas de "Petrus"

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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