Memorial de Odivelas

IPA.00004813
Portugal, Lisboa, Odivelas, Odivelas
 
Arquitectura administrativa, gótica. Padrão de couto que, segundo Mário Guedes Real, demarcava os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro de Odivelas, com elementos semelhantes ao Arco de Paradela (v. PT 011820010007), em Dalvares, Tarouca, associada a uma Honra. Estrutura em arco apontado, rematado por cruz, e integrando três arcos trilobados assentes em colunas, com capitéis decorados com elementos vegetalistas estilizados. Caracteriza este Memorial, a simplicidade da sua decoração, que se assemelha ao estilo usado nas construções da Ordem de Cister, e que caracteriza também algumas estruturas góticas que se mantêm no Mosteiro de Odivelas. O escudo é posterior à construção do memorial, pois apesar de possuir a bordadura com treze castelos como se usava ainda no séc. 16, tem os escudetes em pé, ordenação mandada executar por D. João II em 1485; contudo, nesta altura, a bordadura já tinha menos castelos. Crê-se, portanto, que o escudo do Memorial de Odivelas é posterior a 1485 e talvez tenha substituído um outro, contemporâneo da estrutura que integra. A estrutura possui pilares exteriores ornados por finos colunelos ornados por palmas estilizadas. As colunas que integram o vão ostentam colunas, duas delas de feitura mais recente, com decoração com folhagem estilizada, composta por acantos e palmetas.
Número IPA Antigo: PT031116030004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Político e administrativo  Estrutura de delimitação territorial  Marco  Marco de couto

Descrição

Estrutura construída em calcário liós, em aparelho isódomo, e assente sobre base paralelepipédica, com moldura superior formada por dois sulcos finos. A estrutura abre em amplo arco apontado suportado por impostas salientes, as quais surgem embutidas em dois pilares, seccionando-os, com as arestas exteriores ornadas por duas ordens de finos colunelos adossados, os inferiores ostentando capitéis de folhas estilizadas e espalmadas. O da face SE. possui uma inscrição: "1721 - RTF". A estrutura remata em empena e cornija pouco saliente, assentes em pequenas mísulas que rematam os pilares laterais, ostentando cruz vazada, floreada, composta por quatro semicírculos *2 no vértice. Na face NO., a empena possui escudo real composto por cinco escudetes postos em cruz e bordadura com treze castelos. O arco integra, num registo inferior, três pequenos arcos trilobados, apoiados em quatro pares de colunas lisas com capitéis de decoração vegetalista, que sustentam arquitrave de perfil côncavo. Os capitéis exteriores apresentam folhas de acanto enroladas, formando volumosos cogulhos, tendo os interiores palmetas estilizadas pouco volumosas.

Acessos

Largo da Memória. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,790472, long.: -9,180518

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria n.º 629/2013, DR, 2.ª série, n.º 182 de 20 setembro 2013 *1

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado na confluência de uma via pedonal, pavimentada a cubos de granito, com a Rua Guilherme Gomes Fernandes, de que se separa por passeio público pavimentado a calçada. Surge elevado, em plataforma horizontalizada artificialmente, com 5,10m por 2,10, com 0,20m de altura e com acesso por pequena rampa, a S., e escadas no lado oposto, a primeira protegida por guarda metálica. Está enquadrado a O. pelas Casas agrícolas na Rua Guilherme Gomes Fernandes / Casa da Juventude (v. PT031116030027), a N. pela Casa da Memória (v. PT031116030028), surgindo, a S., a Quinta dos Arcebispos / Quinta da Memória / Câmara Municipal de Odivelas (v. PT031116030010). Fronteira a Quinta na Rua Guilherme Gomes Fernandes (v. PT031116030030).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Política e administrativa: marco de couto

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS PAISAGISTAS: João Junqueira (2004); Nélia Martins (2004). EMPREITEIRO: Adlis Projectos e Construções (2008); António Ferreira de Almeida (1982).

Cronologia

Séc. 14 - provável construção da estrutura *3, para funcionar como limite do couto das religiosas do Mosteiro de Odivelas; 1458, depois de - execução do escudo; 1758, 16 Abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo cura João Lopes Cardoso, refere o Memorial à entrada da povoação, em pedra lavrada, com arcos no meio, assentes em oito colunas, enquadradas por um arco, rematado por uma cruz e ostentando um escudo; refere a tradição de que serviu para pousar o féretro de D. Dinis quando foi sepultado em Odivelas, assinalando o local onde as freiras, que ainda não professavam clausura, foram esperar o corpo do monarca para ser sepultado no Mosteiro; 1938 - devido ao rebaixamento da EN 68 para a ligação a Carriche, a Junta Autónoma das Estradas, solicita à DGEMN, a mudança de local do Memorial de Odivelas, a que a DGEMN, dá resposta favorável, mas somente depois do parecer de um técnico da mesma direcção; a solução adoptada, foi a de recuar o Memorial, para evitar a sua deterioração ou danos posteriores; 1944 - aprovação da Zona de Protecção para o Memorial, por parte da Junta da Educação Nacional; 1948 - publicação da relação dos proprietários dos imóveis situados na Zona de Protecção do Memorial; 1955, 01 março - fixação da Zona Especial de Proteção da estrutura, DG, n.º 50; 1981 - pedido da Junta de Freguesia de Odivelas, de regularização dos pavimentos e limpeza e conservação do "cruzeiro"; séc. 21 - feitura de uma plataforma elevada relativamente à via pública para colocação do Memorial; proibição de circulação automóvel na via em que se insere a estrutura; 2005, 31 março - proposta da DRCLVTejo de fixação da Zona Especial de Proteção conjunta do Mosteiro, Igreja Paroquial e Memorial de Odivelas; 2008, 23 abril - parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR; 2010, 20 janeiro - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção da Ministra da Cultura; 2011, 22 novembro - proposta de alteração da CMOdivelas; 19 dezembro - parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura, propondo a fixação de três Zonas Especiais de Proteção individuais, mas coincidentes.

Dados Técnicos

Sistema estrutural autónomo.

Materiais

Estutura em pedra de liós, proveniente das pedreiras Trigache, em Famões.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa - Concelho de Mafra e Loures, Lisboa, 1963; REAL, Mário Guedes, Padrões Históricos da Estremadura. A Memória em Odivelas, sep. do Boletim da Junta Distrital de Lisboa, nº. LXI - LXII, 2ª Série, Lisboa, 1964; Visita guiada ao núcleo histórico de Odivelas, Odivelas, Junta de Freguesia de Odivelas, 29 Junho 1985; RAMOS, Henrique, O Memorial, Odivelas, Junta de Freguesia de Odivelas, Dezembro 1985; VAZ, Maria Máxima, Património Histórico - Artístico, Loures Tradição e Mudança. I Centenário da formação do Concelho 1886 - 1986, vol. 1, Loures, 1986, pp. 87 - 136; LIXA, Florinda, Núcleo Histórico de Odivelas - caracterização e bases para uma proposta de salvaguarda, 2 vols., [dissertação de Mestrado em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico], Évora, Universidade de Évora, 1997; Guia Turístico do Concelho de Odivelas, Odivelas, Comissão Instaladora do Município de Odivelas / Departamento de Actividades Económicas Divisão de Turismo, 2000; VAZ. Maria Máxima, Odivelas - uma viagem ao passado, s.l., s.n., 2003.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; CMOdivelas

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH-010/127-0093, 0094, 0095, 0096, DGEMN/DSID-001/011-1530/2, 1530/3; CMOdivelas: DOM (Processo n.º 1233/OD, vol. 5)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1957 - recolocação de pedra da base do arco, com cerca de 0,60 cm de comprimento, que se encontrava deslocada do seu lugar e caída junto ao Memorial, trabalho orçado em 150$00; 1982 - reparação das cantarias da base, que foram executadas a partir de pedras em bruto existentes no Palácio Nacional da Ajuda, obra adjudica a António Ferreira de Almeida, por 100.00$00; execução e reparação de quatro frades em pedra de cantaria do tipo liós, para protecção e evitar danos provocados pelos rodados das viaturas; CMOdivelas: 2004 - projecto de arranjo exterior da Casa da Juventude por Nélia Martins e João Junqueira, sendo previsto o alteamento da zona envolvente, nomeadamente junto ao memorial, com a feitura de uma plataforma elevada e colocação de uma rampa de acesso com guarda metálica, obra de Adlis Projectos e Construções.

Observações

*1 - Zona Especial de Proteção Conjunta dos Mosteiro de Odivelas (v. IPA.00004067), do Memorial de Odivelas (v. IPA.00004813) e da Igreja Paroquial de Odivelas (v. IPA.00006818). *2 - alguns autores atribuem esta cruz, como pertencendo à Ordem de Avis. *3 - também conhecido por Monumento de D. Dinis e designado popularmente como Cruzeiro, a origem e intenção do Memorial de Odivelas continua a ser um enigma; alguns autores defendem que foi construído para comemorar a chegada do corpo de D. Dinis à vista do Mosteiro de Odivelas (1325), onde iria ser sepultado; segundo alguns, terá sido construído para a deposição de D. João I, durante o transporte do corpo para o Mosteiro da Batalha; segundo outros, trata-se de um padrão de couto, demarcando os limites territoriais do Mosteiro.

Autor e Data

Paula Nóe 1990 / Paula Figueiredo (IHRU) 2010 (no âmbito da parceria IHRU / CMOdivelas)

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