Castelo de Mirandela
| IPA.00000501 |
Portugal, Bragança, Mirandela, Mirandela |
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Arquitectura militar, medieval. Estrutura em pedra, com abóbada de perfil arqueado, que consiste na única porta sobrevivente das três que integravam a cintura de muralhas do castelo. Porta de perfil quebrado, sendo de volta perfeita no interior, em granito aparelhado até ao arranque do arco, edificado este com pedra xistosa e argamassa. Sobre a porta, existência de um pequeno terraço, supostamente restos do primitivo adarve. Existem vestígios das primitivas muralhas integradas na malha urbana. |
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Número IPA Antigo: PT010407210007 |
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Registo visualizado 1983 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Militar Castelo
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Descrição
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Do primitivo castelo é visível a Porta de Santo António, formada por dois muros espessos, sobre os quais assenta um arco com recorte quebrado na face exterior e de volta perfeita na interior, resultante do abobadamento da estrutura. A altura total da porta, na sua maior abertura, ascende aos 4,5 / 5 metros. No paramento interior do arco, são visíveis ainda as pedras de granito com as aberturas onde girariam, em cima e em baixo, as coiceiras dos portões ferrados, distando, entre si, 2,40 metros. Sobre a porta, há vestígios do primitivo adarve, actualmente transformado em terraço de habitação. Restam, ainda, pequenos troços de muralha, apenas com algumas fiadas de pedra *1, com cerca de 5 metros de altura e dois de espessura, a zona inferior com granito e a superior de xisto. |
Acessos
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Mirandela, Rua do Arco, ligando a Rua de Santo António à Rua Luciano Cordeiro |
Protecção
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Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 40 361, DG, 1.ª série, n.º 228 de 20 outubro 1955 |
Enquadramento
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Urbano, com estrutura envolvida por habitações, na zona mais antiga da cidade, situada na artéria a que dá o nome, na zona mais baixa da cidade, perto do Rio Tua e da respectiva ponte, ficando próximo da principal artéria da terra, a R. da República. Na zona envolvente, as habitações mostram três registos |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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Militar: castelo |
Utilização Actual
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Cultural e recreativa: marco histórico-cultural |
Propriedade
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Pública: estatal |
Afectação
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Sem afectação |
Época Construção
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Séc. 13 / 14 (conjectural) |
Arquitecto / Construtor / Autor
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Desconhecido. |
Cronologia
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Época romana - a zona é intensamente povoada, sendo um importante território de produção agrícola; 1198 - presença de D. Sancho I em Mirandela, por ocasião do cerco de Bragança pelas tropas de Afonso X de Leão; 1250 - D. Afonso III concede foral; provavelmente foi edificado o castelo e muralhas da povoação; 1258 - nas Inquirições refere-se que o povoamento do local remontava ao reinado de D. Afonso II; 1282 - transferência, por carta régia, da primitiva povoação de Mirandela, implantada no lugar do "Castelo Velho", para o "Cabeço de São Miguel", que era mais elevado e onde actualmente se situa; na sequência, o monarca mandaria levantar uma alcáçova e uma torre de menagem, considerado, na época, uma das melhores fortificações de Trás-os-Montes *2; 1291 - D. Dinis concede foral e define os limites geográficos do concelho; construção de uma torre e muralhas no cabeço de São Miguel; 1295, cerca - instituição de uma primeira feira na vila; 1301, 27 junho - carta de doação da vila de Mirandela a Branca Lourenço, constando na mesma que a doação se devia a "compra do vosso corpo", sendo extensível aos filhos da mesma; 1318 - notícia documental sobre o aforamento da alcáçova do castelo de Mirandela, dado pelo monarca a um Domingos Geraldes, em virtude do estado de abandono em que se encontrava o edifício, designado por "paaço del Rey"; 1383 / 1385 - menção na Crónica de D. João I de Fernão Lopes, ao apoio de Mirandela às pretensões do Mestre de Avis; 1357 / 1448 - Mirandela foi um dos castelos medievais a sofrer intervenções de conservação e reforço (MONTEIRO, João Gouveia, p. 152); 1401 - notícia de obras do muro e cava a decorrer por iniciativa régia, em virtude da guerra; 1512 - concessão de novo foral por D. Manuel I; 1530 - perda de importância estratégica, levará à ruína gradual do castelo, conforme atesta uma passagem do censo desse ano: "A villa de Mirãdella he cerquada e a cerqua em partes deribada" (SALES, Ernesto, p. 49 ); 1688 - em documento camarário, menção ao Postigo de São José, que se abria na muralha do castelo; 1706 - segundo Carvalho da Costa, a vila era "murada ao uso antigo com debil muro em partes arruinado, e nelle tres portas"; 1715 - J. Alvarez Colmenar refere Mirandela como estando situada nas margens do rio Tuela e estando defendida por um castelo; séc. 19 - rebaixamento, em cerca de meio metro, do nível da rua no ponto da antiga soleira, para se proceder ao calcetamento; 1874 / 1884 - vários troços importantes da muralha foram derrubados para a construção de habitações; séc. 20 - inícios - restavam duas das quatro portas originais, sendo uma delas destruída pelo município; construção de casas sobre as muralhas; séc. 20, década de 70 - notícia do estado de ruína do castelo de Mirandela; 1950, Maio - a Câmara Municipal de Mirandela colocou uma placa no remate interior do arco, comemorando o VII Centenário da elevação de Mirandela a vila; 2000, Maio - colocação de placa comemorativa, no paramento interior do arco, dos 750 anos da elevação de Mirandela a vila. |
Dados Técnicos
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Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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Granito, xisto argamassado com barro, cimento. |
Bibliografia
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ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; ALVES, Francisco Manuel, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, tomos IX e X, Bragança, 1981 - 1982; ALVAREZ COLMENAR, J., Les Délices de l'Espagne et du Portugal, vol. V, Leiden, 1715; COSTA, Américo, Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. VIII, s.l., 1953; FERNANDES, João Luís Teixeira, Mirandela entre Duas Datas, Mirandela, 1986; FERNANDES, João Luís Teixeira, Mirandela. Roteiro de uma Cidade, Mirandela, 1991; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. V, Lisboa, 1875; LOPES, A. Flávio (coord.), Património arquitectónico e arqueológico classificado. Distrito de Bragança, Lisboa, 1993; MONTEMOR, A. de, Mirandela, in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 13, Lisboa / Rio de Janeiro, 1972, col. 880; MONTEIRO, João Gouveia, Os castelos portugueses dos finais da Idade Média. Presença, perfil, conservação, vigilância e comando, Lisboa, 1999; NETO, Joaquim Maria, O leste do território bracarense, [Torres Vedras], 1975; SALES, Ernesto Augusto Pereira de, Mirandela - Apontamentos históricos, vol. I, Bragança, 1978; TAVARES, Virgílio A. B., Conheça a nossa terra Mirandela, [Mirandela], 1996; Portugal económico, monumental e artístico. Concelho e vila de Mirandela. fasc. XXXIV, s.l., s.d.; VERDELHO, Pedro, Roteiro dos Castelos de Trás-os-Montes, Chaves, 2000. |
Documentação Gráfica
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DGPC: DGEMN:DREMN |
Documentação Fotográfica
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DGPC: DGEMN:DSID |
Documentação Administrativa
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DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DRMN; CMM |
Intervenção Realizada
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DGEMN: 1957 / 1958 / 1968 - obras na zona protegida; CMM: 1991 / 2000 - obras de beneficiação do actual terraço do arco e das fachadas dos imóveis adossados, na face exterior da estrutura; 2000 / 2001 - reboco de partes do granito e substituição de algumas pedras; arranjo do pavimento e degraus. |
Observações
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*1 - Na suposição de Ernesto Sales, "A muralha, partindo da porta de Santo António em direcção norte, costeava pelo lado de fora a actual rua de São Cosme e as traseiras da Misericórdia, indo ter à porta de Santiago; daqui em curva até à Portela, onde se rasgava, voltada ao nascente, uma outra porta que deu o nome ao local; depois, continuando quase paralela à rua que dali vai para o Toural, obliquava para a direita desde as escadas do Quebra-Costas, seguindo pouco mais ou menos a rua do Rosário até ao postigo de São José; desde este ponto descrevia uma curva para ir alcançar a rua da Ponte, pela qual ia em linha recta até encontrar a porta de Santo António" (p. 49); o autor baseou-se no registo de alguns lanços da primitiva muralha encoberta pelas construções que junto a ela se fizeram, avançando com exemplos: na rua da Ponte, desde a Porta de Santo António para Sul, onde todos os prédios do lado nascente encostam as traseiras à muralha que lhes serve de suporte; a partir da porta de Santo António para norte, um lanço de muralha tem encostado um prédio; um outro lanço de muralha, ainda visível em 1874, no local onde depois se construiu, encostado a ela, um prédio com fachada para a estrada de Bragança; outro lanço oculto a servir de suporte às casas que, a nascente, bordam a Rua do Rosário desde ao pé da Portela até quase à Rua do Encontro (pp. 49 - 50). *2 - plausivelmente, a alcáçova e a torre de menagem, no ponto mais altaneiro do recinto murado, teriam barbacãs e ameias; a sua cerca teria três portas, Porta ou Arco de Santiago, Porta de Santo António e Portela, bem como um postigo (o Postigo de São José), além de uma provável porta da traição; as muralhas seriam feitas de alvenaria e argamassa, sendo somente parte das portas construídas com granito aparelhado, e possuiriam cubelos ou baluartes a reforçá-las (SALES, Ernesto, pp. 48 - 50 e 53). |
Autor e Data
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Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001 |
Actualização
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