Convento do Carmo / Comando Geral da Guarda Nacional Republicana, GNR, do Carmo

IPA.00005069
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitectura religiosa, gótica e barroca. Convento carmelita.
Número IPA Antigo: PT031106270328
 
Registo visualizado 3376 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino (casa-mãe)  Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas

Descrição

De planta irregular vazada por 2 pátios quadrangulares, o edifício apresenta volumetria composta por paralelipípedos, sendo a cobertura efectuada por telhados a 2, 3 e 4 águas. O alçado principal, a O., organizado em 2 andares é animado pelo rasgamento de portas ao nível do piso térreo - destacando-se um portal de cantaria emoldurado por pilatras e encimado por frontão interrompido e pináculos - e janelas rectangulares de emolduramento simples no 1º andar. O alçado posterior a E., compartimentado em 7 corpos pela presença de pilastras de cantaria, vence o desnível com um alto embasamento vazado por janelas rectangulares. Separando os 2 andares superiores (vazados cada um por 20 janelas de emolduramento calcário simples) reconhece-se um friso de cantaria. No módulo central, recuado relativamente ao restante plano da fachada, abre-se uma janela de sacada encimada por óculo quadrilobado e ladeada por painéis azulejares monócromos recortados *1.

Acessos

Largo do Carmo; Calçada do Carmo

Protecção

Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) / Parcialmente incluído na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811)

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado

Descrição Complementar

"num voto do Condestável D.Nuno Álvares, no momento solene de Aljubarrota de construir à Virgem da sua devoção uma grande igreja que, não podendo ser no campo da batalha de que o rei de apropriou, seria em Lisboa. Ao mesmo tempo, em 1389, viúvo dois anos antes, o herói da guerra de independência, sem emprego, começou a edificação, nisso empregando muitos dos seus larguíssimos bens e logo aqueles que lhe vieram doados à morte do Andeiro, outros indo à filha que casara na família real. Comprou ele então olivais à Ordem da Trindade, no monte da Pedreira, sobranceiro ao Rossio (…) e adquiriu depois mais terrenos da herança do almirante Pessagano - e dedicou-se à fábrica que vigiava com minúcia, discutindo projetos de um arquiteto desconhecido, e teimando contra as dificuldades contra as dificuldades do terreno sem firmeza em que a abside, primeiro, depois a fachada, a poente, não se conseguiam sustentar com botaréus de apoio. Oito anos de trabalho em fundações foram precisos para elevar o templo de três naves, 72 m de comprimento, 22 m de largura, mais de 24 m de altura, com o seu portal de sóbria monumentalidade gótica, ao fundo de doze degraus a descer, conforme preceito da ordem carmelita - que D.Nuno Álvares escolhera, por antiga amizade travada em Moura onde ela tinha a casa-mãe." (FRANÇA, p.102)

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Segurança: quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR)

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Administração Interna

Época Construção

Séc. 14 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Afonso, Gonçalo e Rodrigo Eanes; Leonel Gaia (1911-1912). PEDREIROS: Lourenço Gonçalves, Estevão Vasques, Lourenço Afonso e João Lourenço e alguns operários de origem judaica Judas Acarron e Benjamim Zagas

Cronologia

1389 - fundação, por iniciativa do condestável D. Nuno Àlvares Pereira, de um convento carmelita em terrenos adquiridos à sua irmã Beatriz Pereira e ao almirante Pessanha; 1393 - início da construção; 1407 - estava concluída a capela-mor e absidíolos da igreja conventual, aí tendo lugar os primeiros actos litúrgicos; 1423 - encontrava-se concluída a parte residencial, passando os religiosos carmelitas a habitá-la nessa data; professa, com o nome de Fr. Nuno de Santa Maria, o Condestável D. Nuno Àlvares Pereira; 1551 - albergando 70 religiosos e 10 servidores, o convento possuía uma renda de 2500 cruzados; 1755 - o terramoto de 1 de Novembro danifica gravemente o convento, perecendo a biblioteca (constituída por 5000 volumes); os 126 religiosos tiveram que abandonar o edifício, deslocando-se inicialmente para a Cotovia, depois para o Campo Grande; 1800 - obras nos telhados da zona conventual; 1810 - as estruturas do Convento eram ocupadas pelo Quartel da Guarda Real de Polícia; 1814 - encontrava-se aquartelada no local o Batalhão de Atiradores; 1815 - pinturas na zona conventual; 1831 - parte do convento era ocupado por um regimento de milícias; 1834 - início de obras a cargo da Repartição de Obras Públicas, com vista à adaptação de parte do convento para receber o Tribunal do Juízo de Direito do 3º Distrito; 1835, Junho - o espaço conventual foi alugado e utilizado como oficina de serração; 1836 - após a expulsão das ordens religiosas e uma grande campanha de obras, é instalada nas antigas dependências conventuais a 1.ª e 2.ª Companhia de Infantaria da Guarda Municipal; 1845 - instalação no edifício do 1º Esquadrão de Cavalaria; 1902 - grande campanha de obras, responsável, designadamente, pela fachada que dá para o Lg. do Carmo; 1911-1912 - reconstrução da muralha do Carmo, com colocação de amplos arcos ritmados, da autoria do arquitecto Leonel Gaia; 1955 - autorização para a execução de obras de conservação e reparação das fachadas e cobertura do quartel pela Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias das Guardas Republicana e Fiscal e das Alfândegas; 1969, 28 Fevereiro - um abalo sísmico provocou danos nas estruturas da nave; 1974, 25 Abril - cercado pelos militares revoltosos, é no quartel do Carmo que se refugia o último Presidente do Conselho do Estado Novo, Prof. Marcelo Caetano.

Dados Técnicos

Estrutura mista, paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra e mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, tijoleira, azulejos, madeira, ferro forjado e fundido

Bibliografia

ANA, José Pereira de Santa (Frei), Chronica dos Carmelitas da Antiga e Regular Observância dos Reinos de Portugal, Algarve e Seus Domínios, Lisboa, 1745; ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Vol. 2, Lisboa, s.d.; BRANDÃO, Cunha, As Ruínas do Carmo, Lisboa, 1908; CAEIRO, Baltazar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Vol. I, Lisboa, 1950; MARTINS, João Paulo, Arquitectura contemporânea na Baixa de Pombal, in Monumentos, n.º 20, Lisboa, DGEMN, 2004, pp. 142-151; MESQUITA, Alfredo, Lisboa Illustrada, Lisboa, 1903; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; MOITA, Irisalva, O Chiado. Seu Contexto Urbanístico e Sociocultural, in Lisboa. Revista Municipal, Ano XLIX, 2ª Série, Nº 25, 3º Trimestre 1988; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1924; PEREIRA, Paulo, O Portal do Capítulo Novo do Convento do Carmo, in Lisboa. Revista Municipal, Lisboa, Ano XLIX, 2ª Série, Nº 25, 3º Trimestre 1988; PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, 1974; SEQUEIRA, Gustavo Matos, O Carmo e a Trindade, Vols. I e III, Lisboa, 1938 - 1941; VILELA, Sá, As Ruínas do Carmo. Breves Considerações, Lisboa, 1876; PROENÇA, Raul, (dir. de), Guia de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1924; FRANÇA. J.A., Lisboa, História Física e Moral, Livros Horizonte 2008.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DRELisboa/DO/DIE, DGEMN/DRELisboa; AHMOP (Lisboa): Desenho Nº 352.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DESA

Documentação Administrativa

Diário do Governo, 22 de Abril de 1836; Diário do Governo, 18 de Maio de 1836; Diário do Governo, 27 de Maio de 1836

Intervenção Realizada

1800 - obras nos telhados da zona conventual; DGEMN: 1956 - inicio da empreitada das obras de reparação, conservação e beneficiação da instalação eléctrica, pela Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias das Guardas Republicana e Fiscal e das Alfândegas; cintagem das paredes junto ao Quartel com betão; consolidação de arcos e cunhais no mesmo local com betão armado; reparação de paramentos de alvenaria; restauro e pintura dos armários; 1957 - reparação e beneficiação das instalações eléctricas e da rede de distribuição de águas, pela Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicanas e Fiscal e da Alfândegas; 1958 - trabalhos de montagem de um ascensor para o Comando geral, instalação de um posto de transformação privativo e central de recurso (início das obras), e beneficiação do vestíbulo da entrada e instalação de aquecimento central na residência do Comandante Geral, pela Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicanas e Fiscal e da Alfândegas; 1959 - instalação do posto de transformação e central de recurso do quartel, pela Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicana e Fiscal e das Alfândegas; consolidação das alvenarias de alguns arcos; 1961 - reparação das instalações sanitárias; 1970 - consolidação de painéis de azulejo existentes no claustro; beneficiação da zona das coberturas; 1973 - demolição de alvenaria hidráulica; construção de lintéis com vigas de ferro em portas e janelas na caserna da GNR; reboco das paredes e tectos e caiação dos mesmos; pintura nas paredes exteriores do quartel; substituição de vidros partidos no quartel; 1978 - fixação e reposição de pedras no arco existente, reforçadas com gatos; fechar a fenda do arco e do corpo do edifício; pintura da porta do arco; construção de pavimento em calçada sob o arco; colocação de ralo para escoamento de águas pluviais; colocação de balaústres de ferro na zona de acesso ao elevador, com pintura das grades; reconstrução dos muros que ladeiam as escadas de acesso ao templo.

Observações

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996

Actualização

 
 
 
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